Psicologia e ruralidades: caminhos para um fazer psicológico transformador

Eliana Maria Lopes, Clarice Regina Catelan Ferreira, Douglas Renan Friedrich

Resumen


O presente artigo procura construir uma série de reflexões pertinentes sobre o atuar do psicólogo no meio rural, um profissional que na maioria das vezes possui uma formação acadêmica e uma visão urbana de mundo. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico com o intuito de apresentar dados sobre a forma como a Psicologia atua junto às populações rurais, destacando-se dentro das políticas públicas brasileiras o trabalho do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) como a principal via através da qual a Psicologia chega ao meio rural em nosso país. Foram igualmente levantadas reflexões sobre os saberes necessários para que a Psicologia possa apresentar um fazer crítico e pertinente quando inserida na realidade rural. Munido dos pressupostos de uma ciência psicológica eminentemente urbana, o profissional da Psicologia corre o risco de valer-se de uma mera transposição teórica: utilizar no meio rural e em suas comunidades a lógica urbana. Sem a devida reflexão, construída a partir das bases históricas de nossa sociedade, a Psicologia pode acabar sendo uma simples repetidora de preconceitos e culpabilizações, mantendo o estado de naturalização das mazelas sociais. A partir da visão de homem referenciada pela Psicologia Histórico-Cultural, pontua-se a necessidade de um comprometimento ético e a utilização de uma epistemologia adequada à realidade rural, capaz de enxergar os problemas da vida real dessa população, e também capaz de gestar coletivamente os caminhos da transformação social.


Palabras clave


Ruralidades; Psicologia; Psicologia Histórico-Cultural

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